Interessantes os textos que o irm colocou nessa última mensagem. Tenho comentários com relação ao primeiro,
irm:
Existe, no entanto, no nosso cérebro uma estratégia seguida pelo nosso sistema nervoso central que se responsabilisa pela organização e processamentos dos conteúdos mentais.
luiz:
Será que existe, mesmo, uma estratégia (algoritmo, heurística) que o nosso sistema nervoso segue? Afirmar isso é equivalente a afirmar que somos máquinas...
irm:
Sendo a nova geração de computadores dotada de propriedades anteriormente desconhecidas, de “capacidades de tratamento multiplicadas”, aproximando as máquinas cada vez mais ao modelo racional do Homem.
luiz:
A evolução tecnológica de forma alguma aproximou as máquinas ao modelo racional humano. Apenas permitiu a manipulação de mais bits por intervalo de tempo, ou seja, apenas um aumento na capacidade de dados; nada mais. Uma "aproximação das máquinas ao modelo racional do homem" seria uma evolução dos algoritmos de simulação.
irm:
4. A comunicação com o exterior é posssível nos dois casos, graças a uma linguagem pessoal, simbólica para o cérebro (língua falada ou escrita, gestos, etc.), adaptada, por sua véz para a máquina (C++, Pascal, Python, Fortan, Javascript...).
luiz:
A comunicação com o exterior, no caso do computador, inclui, também, a saída dos programas (imagens, texto). As linguagens de programação seriam apenas a entrada (a "audição" do computador). De qualquer forma, são linguagens bastante diferentes das humanas, pois não permitem ambiguidades, algo intrínseco da comunicação humana.
irm:
5. O cérebro e a máquina podem, perante uma confrontação, escolher a melhor solução, resolver um problema de lógica, base do controlo de uma situação concreta.
luiz:
Afirmar que o cérebro toma as decisões está de acordo com o que se acredita, atualmente, na comunidade científica, mas será que a decisão é mesmo tomada no cérebro? Não se pode afirmar isso com certeza até que se desvende o funcionamento do cérebro completamente.
irm:
Os limites das capacidades que são capazes de suportar o chamados cyborg (cyborg=cybernetic organism, que é básicamente um robot humanoide) no presente não são detectáveis...
luiz:
São detectáveis, sim. Sabe-se, por exemplo (e o próprio autor do texto afirma), que os cyborgs não conseguirão ser criativos.
Apesar de concordar mais com o segundo texto, o enfoque deste ainda é muito tecnológico, apesar de se afirmar que apenas o ser humano pode ser racional. Tecnologia não é um entrave. Os computadores e algoritmos atuais já são capazes de realizar simulações muito complexas. Por mais que a tecnologia evolua, jamais será possível realizar a execução de um programa infinito, o que seria necessário para especificar a auto-consciência formalmente.
Entretanto, acho possível que ainda construam algum programa capaz de simular bem, a ponto de passar no teste de Turing, um ser humano. Mas note que passar no teste de Turing depende muito da pessoa que o faz e que, portanto, ele não pode ser um critério absoluto para se dizer que um programa é inteligente. Ele serve para uma pessoa afirmar que aquele programa parece inteligente.