Oct 23, 2008

Computador vs. Homem (parte 1)

Penetrando no interior da nossa mente, examinando os mecanísmos que geram e regulam o nosso pensamento no plano psicológico, numa priméira instância, dificilmente poder-se-á verificar algum esquema sistemático concreto e perceptível. É muito súbtil a aparente desordem de ideias e pensamentos, emoções e sentimentos características do Homem, um ser inteligente. Existe, portanto, no nosso cérebro uma estratégia seguida pelo nosso sistema nervoso central que se responsabilisa pela organização e processamentos dos conteúdos mentais.

Tem-se observado, nas últimas três decadas, uma considerável, em termos técnicos, evolução das tecnologias informáticas. Sendo a nova geração de computadores dotada de propriedades anteriormente desconhecidas, de “capacidades de tratamento multiplicadas”, aproximando as máquinas cada vez mais ao modelo racional do Homem. Porém, as maquinas permanecem ainda numa fase conservadora em relação ao nível de evolução humana. Tendo em consideração o contraste, enfatisado ao nível intelectual (é comum confundir o termo ‘inteligente’ com o termo ‘racional’, que neste caso só se pode aplicar ao Homem ), creativo e moral, entre os humanos e as máquinas, é possível estabelecer uma análise comparativa:

  1. Cérebro e computador tratam ambos das informações a grande velocidade e em grande quantidade.

  2. A circulação das informações inscreve-se num quadro definido pela regra de comunicação binária do «tudo ou nada», séries de 0 e 1 para a máquia, série de descargas positivas ou negativas para os neurónios.

  3. O tratamento de funções mais complexas faz-se a partir de uma linguagem intermédia que é a montagem de sequências de comandos elementares . Fala-se então de técnicas de montagem em informática e de patterns em neurologia (ex: efeitos neuro-hormonais que constituem a retroacção negativa). Porém, na prática, estes termos cobrem a mesma noção.

  4. A comunicação com o exterior é posssível nos dois casos, graças a uma linguagem pessoal, simbólica para o cérebro (língua falada ou escrita, gestos, etc.), adaptada, por sua véz para a máquina (C++, Pascal, Python, Fortan, Javascript…).

  5. O cérebro e a máquina podem, perante uma confrontação, escolher a melhor solução, resolver um problema de lógica, base do controlo de uma situação concreta.

  6. Cérebro e computador possuem ambos mecanísmos miniaturizados destinados para medição, tanto ao nível temporal, como espacial, armazenamento e organização de informação.

Um computador não vai mais longe. Ele não emita a actividade do sistema nervoso central. A diferença básica entre o processador de um computador e o cérebro de uma máquina reside principalmente na sua função primordial: enquanto o computador é um instrumento destinado unicamente para a gestão de informação, o cérebro é, em si, um orgão de manifestação do processo de adaptação necessitativa do Homem perante o crescimento das relações sociais. O computador é uma criação do nosso cérebro que, apesar da sua obectividade natural, visa extender as suas capacidades, garantindo a preservação dos princípios instintivos humanos. Nessa perspectiva, a «caça» que o Homem começou fase ao conhecimento, por intermédio dos progressos científicos, não passa de uma complicação do computramento animal. No caso das máquinas, a situação é radicalmente diferente, no que tem a ver com a sua actividade autónoma, que neste momento não tem revelado grandes sucessos, mas cuja impotância na geração que se segue é indispensável. Os limites das capacidades que são capazes de suportar o chamados cyborg (cyborg=cybernetic organism, que é básicamente um robot humanoide) no presente não são detectáveis, o que é muito promissório.

É fascinante a facilidade com que os computadores resolvem cetos problemas matemáticos e lógicos.

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